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‘Inimigo que vivia ao lado’: amiga lamenta feminicídio de subtenente da PM e pede justiça

A subtenente da PM, Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, foi lembrada por diversas pessoas nas redes sociais, entre eles, uma amiga que pede justiça pelo feminicídio da militar. Marlene foi morta em casa no bairro Estrela Dalva, em Campo Grande, e o namorado dela, Gilberto Jarson, de 50 anos, foi preso em flagrante pelo crime nesta segunda-feira (6).

Violento, o namorado que matou a subtenente acumula mais de 20 passagens pela polícia e foi denunciado há dez anos por agredir a ex-companheira. Ele quebrou um banco de madeira com golpes na cabeça da vítima em 2016.

Nas redes sociais, colegas de farda descreveram Marlene como uma pessoa alto astral, amorosa, mulher de fé e espetacular. Ela estava na PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) há 37 anos e exaltava a profissão nas redes sociais.

Uma das homenagens feita nas redes sociais chamou a atenção, pois a amiga de Marlene relata que a subtenente dedicou sua vida a luta por pessoas que sofrem depressão.

“Ela dedicou sua vida à luta por pessoas que sofriam do mesmo mal que ela, sempre conseguiu esconder por trás de um sorriso…A DEPRESSÃO. Essa maldita doença fez com que ela ficasse tão vulnerável que não conseguiu ver o perigo que vivia ao seu lado”, escreveu a amiga.

A amiga lamentou a fatalidade e pediu justiça pela subtenente. “Infelizmente a gente corre tanto, tem tantos problemas que só lembramos de enaltecer alguém, quando uma fatalidade dessas acontece. Muito triste #justiçaporMarlene”.

Uma vizinha de Marlene também comentou nas redes sociais. “Uma grande mulher guerreira e ótima vizinha que Deus conforte o coração de todos os familiares e amigos enlutados que Deus conforte o coração dos filhos dela”.

A subtenente foi lembrada por um professor, que atuou com ela em uma força-tarefa. “Uma grande amiga, estivemos juntos numa força tarefa do governo do estado, ela pela SEJUSP e eu pela SED-MS, Boas lembranças vou guardar daqueles grandiosos momentos pelo interior do estado, descanse em paz”, comentou.

Feminicídio

O crime ocorreu no horário do almoço e, após dar versões contraditórias dos fatos, o namorado foi preso em flagrante pelo feminicídio. Conforme detalhes da PM (Polícia Militar), um vizinho policial foi o primeiro a chegar ao local do crime. Outra vizinha ouviu o tiro e comunicou o policial militar, que então foi até a casa e encontrou Gilberto com as mãos ensanguentadas.

Segundo o soldado, ele questionou o suspeito sobre Marlene, mas ele não respondeu. Como o portão estava trancado, solicitou que Gilberto abrisse, mas ele demorou. Por isso, o militar pulou o muro da casa.

Gilberto estava falando ao telefone, com a arma na mão direita. Então, o PM ordenou que o namorado de Marlene soltasse a arma, um revólver, e ele o colocou em cima de um baú.

Quando o vizinho entrou na casa, Marlene ainda tinha sinais vitais, então, ele acionou socorro via 192, 193 e 190, mas ela não resistiu. Além do policial, outros vizinhos confirmaram que as brigas de casal eram frequentes.

Uma testemunha chegou a dizer que ouvia sempre Gilberto gritando com Marlene e que, em determinada ocasião, ouviu ela gritar por socorro. Após os fatos, as equipes do 9º Batalhão da PMMS foram acionadas e estiveram no local.

Aos policiais, Gilberto deu versões diferentes dos fatos. Em determinado momento, disse que ligou para a polícia após o tiro e mostrou o celular. Então, os militares identificaram também uma chamada para o advogado do suspeito.

Gilberto afirmou que a ligação ocorreu porque tinha provas de que a vítima “manifestava intenção de cometer suicídio”. Afirmou também que não houve discussão ou desentendimento na data dos fatos.

Feminicídios de 2026 em MS:

  • Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
  • Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro;
  • Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de fevereiro;
  • Beatriz Benevides da Silva (Três Lagoas) – 25 de fevereiro;
  • Liliane de Souza Bonfim Duarte (Ponta Porã) – 6 de março;
  • Leise Aparecida Cruz (Anastácio) – 6 de março;
  • Ereni Benites (Paranhos) – 8 de março;
  • Fátima Aparecida da Silva (Selvíria) – 23 de março;
  • Marlene de Brito Rodrigues (Campo Grande) – 6 de abril.

Lívia Bezerra – midiamax

(Reprodução, Redes Sociais)

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