A prefeitura de Água Clara publicou em Diário Oficial, na quinta-feira (19), a estabilidade às servidoras Ana Carla Benette e Denise Medis, que são investigadas na Operação Malebolge, que apura desvios de R$ 10 milhões da merenda escolar em cidades de Mato Grosso do Sul.
Conforme a publicação, o prefeito em exercício, o vice Sebastião Ottoni, concedeu a estabilidade dada após os anos de estágio probatório. O benefício do servidor concursado impede demissões sem justa causa, impedindo perseguições políticas ou trocas de governo.
A estabilidade vem um ano após a deflagração da operação. Na época, Denise Medis atuava como secretária de Finanças do Município, com salário de R$ 10 mil, e foi exonerada do cargo pela prefeita Gerolina Alves (PSDB). Ele ganhou benefício no cargo de Assistente de Administração, com vencimento em R$ 4 mil.
Já Ana Carla era lotada na Secretaria de Educação e recebia R$ 4 mil, segundo o Portal da Transparência. Agora, ganhou estabilidade no cargo de professora, com salário de R$ 1,4 mil.
Pagamento de propina a servidores
Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), as investigações apontaram que o esquema contava com pagamento de propinas a servidores para fraudar licitações, principalmente na área da educação.
Em novembro, o juiz federal Roberto Polini substituiu a prisão domiciliar por medidas cautelares, como afastamento do cargo público.
O Jornal Midiamax questionou o vice-prefeito Sebastião Ottoni sobre a concessão do benefício e possíveis processos administrativos contra as servidores na Prefeitura. Até esta publicação, não houve retorno, mas o espaço segue aberto para manifestação.
Como o esquema funcionava?
Mediante recebimento de propina, servidores atestavam ter recebido produtos e serviços que nunca foram realizados, além de acelerar trâmites para emissão de notas frias para acelerar pagamentos a empresários.
O esquema foi revelado a partir da apreensão de celulares na Operação Turn Off, que revelou fraudes na saúde e educação, no montante de R$ 68 milhões, que implicou empresários, secretário e servidores.
“Malebolge”, termo que dá nome à operação, é uma referência à Divina Comédia, obra clássica de Dante Alighieri, que descreve a jornada de um homem pelos reinos do inferno, purgatório e paraíso. Dentro do inferno, o “Malebolge” é a região onde os fraudadores e corruptos são punidos conforme a gravidade de seus pecados.
Fábio Oruê – midiamax
Foto: (Reprodução, Prefeitura Municipal)

