Mato Grosso do Sul se aproxima do período de sazonalidade dos vírus respiratórios, que ocorre principalmente entre abril e julho. No mesmo período de 2025, Campo Grande foi a única capital do país a registrar nível de atividade de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) em alerta. Somente neste ano, são 494 casos confirmados e 51 óbitos pela doença.
Na sexta-feira (6), novo boletim InfoGripe, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), apontou para um crescimento nos casos de SRAG no Brasil, impulsionado principalmente pelo rinovírus e o VSR (vírus sincicial respiratório), além do aumento de casos de influenza A em algumas regiões.
Para evitar novos picos da doença em 2026, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) orientou os municípios a intensificarem as ações de vigilância, prevenção e organização da rede assistencial diante da possibilidade de aumento de casos de SG (Síndrome Gripal) e SRAG.
Historicamente, os meses mais frios, que abrangem o período de outono e inverno, registram maior circulação de vírus como Influenza, VSR (Vírus Sincicial Respiratório) e Rinovírus. Embora o coronavírus responsável pela pandemia de Covid-19 não siga um padrão sazonal tão definido quanto outros vírus respiratórios, a alta transmissão, aliada à intensa circulação de pessoas, pode favorecer aumentos no número de casos ao longo do ano.
Vigilância ativa e preparação antecipada

Em Mato Grosso do Sul, foram confirmados 494 casos de SRAG e 51 óbitos em 2026, cenário considerado estável mesmo diante do alerta nacional, conforme dados do boletim epidemiológico da SES.
A análise semanal mostra oscilações nos registros, com pico na semana 1, quando foram contabilizados 99 casos. Nas semanas seguintes, os números variaram entre 49 e 77 notificações. Na semana anterior ao Carnaval, o total havia chegado a 73 notificações.
Já nas semanas epidemiológicas 6 e 7 — período que incluiu os dias de folia — os registros tiveram queda, com 65 e 49 casos, respectivamente.
Entre os óbitos registrados no Estado, 15 tiveram agente identificado; 35 estão classificados como SRAG não especificada e 1 permanece em investigação.
Apesar do cenário estável, na sexta-feira (6), a SES recomendou que os gestores municipais organizem antecipadamente os fluxos de identificação, coleta de amostras e notificação oportuna dos casos, conforme as Notas Técnicas Estaduais e o Guia de Vigilância Integrada da COVID-19, Influenza e outros vírus respiratórios de importância em saúde pública.
Alta de casos leva à superlotação das unidades de saúde

No ano passado, o aumento de casos levou à superlotação das unidades de saúde em Campo Grande. Na ocasião, foram registrados 1.048 casos de SRAG, sendo quase metade (45,99%) em crianças pequenas, com menos de quatro anos — grupo que, na maioria das vezes, necessita de internação.
Segundo o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, esse planejamento é essencial para reduzir impactos no sistema de saúde.
“Nosso foco é agir antes do aumento expressivo de casos. Estamos orientando os municípios a revisarem fluxos, fortalecerem a vigilância e organizarem a assistência para que o sistema esteja preparado”, afirmou.
Esse cenário está relacionado ao perfil epidemiológico da doença no estado. Em Mato Grosso do Sul, os casos de SRAG se concentram principalmente entre crianças e idosos.
A maior proporção está na faixa etária de 1 a 9 anos (22,67%), seguida pelos menores de 1 ano (19,43%). Entre idosos com 80 anos ou mais, o percentual é de 12,35%. Já em relação aos óbitos, a maior incidência ocorre entre pessoas com 80 anos ou mais (25,5%) e na faixa de 50 a 59 anos (25,5%), seguidas por pessoas de 60 a 69 anos (19,6%).
Monitoramento e tratamento precoce
Outro fator que gera preocupação é a capacidade de rápida disseminação global da Influenza. Conforme a SES, a possibilidade de surgimento de novos subtipos virais e as características evolutivas dos vírus respiratórios tornam essencial o monitoramento contínuo.
A partir da identificação dos agentes etiológicos, é possível avaliar como os vírus estão circulando e quais grupos populacionais estão sendo mais afetados, subsidiando estratégias de prevenção e controle.
Para a gerente de Influenza e Doenças Respiratórias da SES, Lívia Mello, o tratamento precoce pode evitar agravamentos.
“Todos os casos de SRAG e os casos de síndrome gripal associados a fatores de risco devem iniciar o antiviral o mais rápido possível, conforme os protocolos vigentes. Não se deve aguardar confirmação laboratorial quando há indicação clínica, pois o tempo é determinante para evitar casos graves e óbitos”, explicou.
Vacinação segue como principal estratégia de proteção
A vacinação contra Influenza e Covid-19 permanece como a principal medida para evitar complicações, hospitalizações e mortes. Coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger, destaca que além de reduzir a circulação viral na comunidade, a vacina protege os grupos mais vulneráveis.
“A imunização é a forma mais segura e eficaz de prevenir casos graves. Precisamos que a população procure as unidades de saúde e mantenha a caderneta atualizada, principalmente idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades”, afirmou.
Em Mato Grosso do Sul, a vacina está disponível em todas as unidades de saúde.

